A Ultrassonografia Obstétrica Faz Mal?

Durante muitas décadas, a ultrassonografia tem sido usada como ferramenta altamente eficaz no campo da obstetrícia. As ondas “ultrassônicas “ trabalham, por definição, com frequências maiores que 20.000 ciclos por segundo, especialmente entre 2 a 12 milhões de ciclos para as imagens tocoginecológicas, muito acima da capacidade auditiva humana. (1)

Até o presente momento, muitos ainda interrogam a segurança do uso do ultrassom na gestação, no que tange um eventual risco materno-fetal. Cerca de 61 artigos foram englobados em uma revisão sistemática realizada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) em 2009, a respeito da segurança do modo B e da dopplervelocimetria durante a gestação. Os resultados mostraram que não há correlação com eventual desfecho adverso materno-fetal, alteração do desenvolvimento neuro-motor, capacidade cognitiva ou mental prejudicada e risco de malignidade na infância. (2)

Ademais, não há na literatura evidências consistentes que a exposição à ultrassonografia possa trazer distúrbios do espectro autista na infância. (3) Entretanto, a Sociedade Internacional de Ultrassonografia em Obstetrícia e Ginecologia (ISUOG) emitiu em seu guideline que, o ponto crítico seria a realização da dopplervelocimetria, em razão do risco de aquecimento nocivo e localizado aos tecidos, sendo ideal um tempo de execução de 5 a 10 minutos e nunca acima de 60 minutos. (4,5)

A ultrassonografia obstétrica deve, portanto, ser utilizada com indicação adequada, em período mínimo de tempo para um diagnóstico correto e com os menores níveis de energia necessários. (6)

Referências
1. Phillips RA, Stratmeyer ME, Harris GR. Safety and U.S. Regulatory considerations in the nonclinical use of medical ultrasound devices. Ultrasound Med Biol 2010; 36:1224. 
2. Torloni MR, Vedmedovska N, Merialdi M, et al. Safety of ultrasonography in pregnancy: WHO systematic review of the literature and meta-analysis. Ultrasound Obstet Gynecol 2009; 33:599. 
3. Abramowicz JS. Ultrasound and autism: association, link, or coincidence? J Ultrasound Med 2012; 31:1261. 
4. Bhide A, Acharya G, Bilardo CM, et al. ISUOG practice guidelines: use of Doppler ultrasonography in obstetrics. Ultrasound Obstet Gynecol 2013; 41:233. 
5. Salvesen K, Lees C, Abramowicz J, et al. ISUOG statement on the safe use of Doppler in the 11 to 13 +6-week fetal ultrasound examination. Ultrasound Obstet Gynecol 2011; 37:628. 
6. Practice Bulletin No. 175: Ultrasound in Pregnancy. Obstet Gynecol 2016; 128:e241.

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